Nossa última participação no casarão que acolhia até hoje pela manhã [terça, 24 de junho] o abrigo Maria Teresa - antes de ser demolido pelas obras do metrô - não poderia ter sido mais bela.
Quando chegamos o clima era de muita agitação e certa tensão no ar. No entanto, era nítida a alegria nos residentes e funcionários ao nos encontrarem naquele momento tão confuso.
A sensação é que havia uma confiança mútua pelos momentos carinhosos que construímos até então.
A noite seria a última de todos naquele local e nossa equipe estava ali reunida para encenar através de Tânia e Ademir a história de dois moradores de rua, palhaços.
Palhaços na maneira poética de transformar dureza em poesia, Palhaços na forma doce de transformar solidão em amizade, Palhaço em ser criança quando a realidade cria cascas de defesa.
“Maria Eugênia”, espetáculo silencioso e minimalista que requer atenção total para ser saboreado em suas minúcias, seria apresentado… e assim se fez: um silêncio pontuado por gargalhadas de todas as idades, cores e nomes.
Ao final, reunimos nosso pequeno “circo” de espetáculos deixando saudades e sonhos compartilhados nesse primeiro mês do segundo ano de Rir é Viver.
Maria Teresa, hasta la vista!
Os ventos começam a soprar na direção da Ilha do Governador, onde os residentes do enorme abrigo Estela Maris nos aguardam para mais um período de convivência.
Luís Igreja
Diretor e ator palhaço da Companhia do Gesto