Alegria, alegria
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Quando comecei a trabalhar no projeto Rir é Viver, tudo era novo pra mim. Nunca tinha ido a um asilo, creche ou orfanato para realizar um trabalho de documentação fotográfica. Não sabia muito bem o que iria encontrar, e qual o impacto que este novo tipo de convivência traria para a minha vida.
Meu primeiro trabalho foi no Abrigo Cristo Redentor, onde pude presenciar uma realidade que até então passara desapercebida. Travei contato com pessoas que possuem, além da idade avançada, uma carência afetiva que só aqueles que nutrem verdadeiro amor podem suprir, e que na maioria das vezes, não estão mais lá. Dentro destas pessoas, crianças e idosos principalmente, existe um balão sempre na iminência de ser estourado, que os faz querer se emocionar e ter de volta uma alegria que fica embaçada pela dura realidade de suas histórias.
Mesmo não subindo ao palco, emocionei-me por poder quebrar suas rotinas, e ver as enrijecidas articulações do rosto se moverem, para expressar um sorriso que há muito tempo não havia razão de ser.
Vi alguns olhos brilharem e lacrimejarem, resgatando qualquer coisa que havia de bom em algum momento de suas vidas, e que pelas
circunstâncias, acabam guardadas num cantinho de suas memórias. Vi um processo de cura sem remédios. Vi que a endorfina, enfim, teve motivo para mais uma vez circular pelo sangue daqueles cujos dias são iguais, sem motivação ou novidades. Experimentei a ótima sensação de documentar um trabalho que certamente deixará uma marca positiva na vida de todos os envolvidos. Mesmo que breve, naquele dia, naquele momento, fez com que resgatassem o objetivo mais importante que pode haver. A alegria de viver.
Bruno Poppe
Fotógrafo