O Rir é Viver começa amanhã sua terceira semana de atividades no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, com o espetáculo “Cláun! Palhaços Mudos”, na pediatria. Os espetáculos “Grand Circo de um Homem Só” e “A Menor Máscara do Mundo” já passaram pelas enfermarias das crianças e dos idosos, e a oficina terá sua última aula nesta quinta-feira, 20.
A grande surpresa, já no primeiro dia de atividades foi uma turma totalmente formada por mulheres. Já havíamos notado a predominância feminina nas oficinas, em todas as instituições. Mas nunca havia acontecido de uma turma de 20 pessoas ser totalmente formada por mulheres: psicólogas, enfermeiras, assessoras, secretárias, funcionárias administrativas, serventes… Todas mulheres.
Na ortopedia, a predominância entre os médicos é de homens. Segundo as meninas que estão fazendo a oficina, uma das razões possíveis é que a ortopedia é uma especialidade médica que exige força física nos tratamentos e cirurgias. E também força no estômago, considerando os instrumentos utilizados e a forma como são utilizados para lidar com nossa estrutura óssea.
Bom, o fato (que nos surpreendeu muito) é que nenhum médico, nenhum homem, tenha se insteressado pela oficina.
O que acontece é que, para nós, tão importante quanto estar presente na atividade, é querer estar presente. Por essa razão fazemos questão de divulgar antes em cada instituição as atividades do Rir é Viver, com auxílio e parceria das direções e coordenações de setores internos, para que os funcionários e profissionais se interessem e queiram participar.
Nunca esperamos que num primeiro contato, numa primeira vez dentro da instituição, haja uma compreesão total do que estamos propondo. Nada acontece tão imediatamente. Nosso desejo é construir, pedrinha por pedrinha, um passo de cada vez, ganhar a confiança e, principalmete, dar continuidade ao trabalho.
Em seu primeiro ano, o Rir é Viver é uma sementinha. Esperamos que ela brote, que venham os frutos nos devidos tempos de cada pessoa, cada instituição por onde passamos, e em nós mesmos.
VIRANDO O JOGO
Temos vivenciado a resposta disso dia após dia: Na enfermaria dos idosos, a apresentação de “A Menor Máscara do Mundo” nos demonstrou que este caminho é possível. Ao chegarmos, fomos tomados por muitas dúvidas.
Foi preciso fazer uma revolução no espaço: macas mudando de lugar, arreda pra cá, vai pra lá, abre espaço para montarmos a estrutura do espetáculo. Ficamos num cantinho, assim, meio diagonal, meio apertadinhos. Na “platéia”, entre internos, funcionários, acompanhantes e enfermeiros, umas 20 pessoas.
E tinha gente com dor, gente que ia operar naquele dia, gente que tinha sido operado e estava se recuperando, gente que não queria saber de riso. Tudo nos indicava um clima difícil para a realização de um espetáculo.
Que fazer? Botar o nariz e fazer o espetáculo, foi o que fizemos.
Saímos pelos corredores do andar, os quatro palhaços enrolados em toalhas, e já neste primeiro contato as coisas começaram a mudar. Sensibilidade, aproximação, olho no olho, um bom tanto de cara de pau, e os risos começaram a chegar.
Começamos o espetáculo com uma das platéias mais calorosas que já tivemos, que mesmo com limitações sobre as macas, nos acompanhou atentamente, riu muito, riu até chorar, participou e aceitou nosso pacto de palhaços por alguns instantes de alegria, esquecendo todo o resto, adversidades, dores ou tristezas.
Foi uma tarde e tanto aquela. Ao fim do espetáculo estávamos ali com eles. Ouvindo seus risos e suas histórias. E cada olhar tinha mudado. Tudo parecia mais leve, mais feliz. Dona Elza foi confiante para a operação do braço, sua filha ficou tranqüila e sorridente esperando. Jéssica, que estava deprimida após a operação por ter caminhado a primeira vez com muita dificuldade, ficou feliz, parecia certa de que ficaria bem, havia recebido alta.
Transformação.
Essa palavra é a melhor síntese do que aspiramos. No Rir é Viver e nas nossas vidas, como artistas e pessoas.
Muito obrigada Into.
E até amanhã, com uma nova dose de palhaço.
Ana Carina